Libertas quae sera tamen: a hotelaria independente mostra sua cara e seu peso

A Ameris, rede de hotelaria independente sob comando de Nuno Jesus, conquista Minas Gerais e o resto do Brasil

Dados do “Relatório Hotelaria em Números- Brasil 2020” apontam que a Ameris, nascida como braço da Nobile Hotels&Resorts, conta hoje com 170 hotéis afiliados em 130 cidades, bem como uma oferta superior a 10.000 UHs. Além disso, em operação desde 2018, trata-se já da terceira maior cadeia de hotéis operando no país. E para concretizar seu ambicioso plano de expansão e se consolidar então como a 1ª e maior rede de hotéis independentes do Brasil, a empresa, desde fevereiro de 2021 sob comando de Nuno Jesus, aposta em uma estrutura comercial muito bem articulada e em uma gestão eficiente que leva em conta as peculiaridades de cada empreendimento e as idiossincrasias de sua localização.

Libertas quae sera tamen: a hotelaria independente mostra sua cara e seu peso
Nuno Jesus, CEO de Ameris

O executivo português, radicado há sete anos no Brasil, tem passagens pelas Redes BHG e San Diego Hotéis, bem como Nobile Hotels & Resorts, e é o entrevistado desta semana do Blog Hospitalidade Brasil. Nesta conversa ele apresenta um panorama da hotelaria independente no Brasil, com suas oportunidades e desafios. Além disso, conta como a pandemia afetou os planos da empresa e quais saídas foram encontradas para driblar o cenário pelo qual o Brasil atravessa.

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Confira a entrevista com Nuno Jesus

Blog Hospitalidade Brasil: Como você enxerga a hotelaria independente no Brasil?

Nuno Jesus: No Brasil a hotelaria independente corresponde a 70% da oferta do setor, contra 30% de hotéis administrados pelas grandes redes, cuja maioria se encontram nas grandes cidades, principalmente nas capitais. Dada a dimensão do Brasil e a hegemonia da oferta hoteleira independente, observamos maior capilaridade e  capacidade para atingir vários públicos. Contudo, os hotéis independentes, em sua grande maioria, ainda carecem de know how, mão de obra qualificada, tempo e investimento para conseguirem uma maior rentabilidade. Enxergo, assim, que a hotelaria independente tem um longo caminho a percorrer, com possibilidade de fortalecer seu negócio, agregando parcerias e tecnologias, aumentando assim sua rentabilidade.

BHB: Quais os seus desafios para os próximos anos enquanto CEO da Ameris?

N.J.: Meus principais desafios visam estabelecer novas parcerias, capacitar as pessoas direta e indiretamente envolvidas em todos os nossos processos. Estarei focado em diversificar as estratégias de marketing viabilizando soluções e inovações tecnológicas de ponta para os nossos hotéis afiliados. Quero que a Ameris continue crescendo, inovando, agregando cada vez mais valor aos hotéis parceiros, posicionando a rede como uma empresa líder no mercado nacional e internacional no seu segmento.

BHB: Como vocês têm lidado com a pandemia? Há protocolos próprios? Quais as peculiaridades de se lidar então com hotéis independentes nesse quesito?

N.J.: Desde o início da pandemia, adequamos o nosso escritório corporativo, colocamos a maioria dos colaboradores em home office. Renegociamos contratos e reduzimos  despesas.

Criamos Protocolos de Segurança e Saúde, focados nos diversos tipos de hotelaria independente, com fácil entendimento e implementação. Organizamos uma LIVE para tratar do tema e compartilhamos com nossos hotéis parceiros. Realizamos também o IV Fórum Brasileiro de Hotéis Independentes em versão digital com o tema: “Um olhar pelo retrovisor sobre os impactos provocados pelo Covid-19 e um outro sobre o futuro da hotelaria”, além de apresentar soluções para rentabilizar o negócio hoteleiro diante do “Novo Normal”.

As peculiaridades são diversas: mostrar a necessidade da implementação dos protocolos, adequação a realidade de cada empreendimento,   atender as exigências da cidade ou estado, e principalmente do hoteleiro ser capaz de demonstrar o que está fazendo para cuidar da segurança dos hóspedes.

BHB: Dá para se falar em uma cultura organizacional?

N.J.: Dentro dos preceitos de cultura organizacional de uma empresa se encontra o pilar da comunicação, ser claro e transparente deixou de ser apenas fundamental e se tornou obrigatório, principalmente neste período pandêmico. Acredito que uma cultura organizacional forte e estabelecida tem o poder de transpor a empresa e seu colaborador, refletindo no mercado externo, e assim atraindo atenção de clientes e de pessoas interessadas em fazer parte daquele meio. O resultado é um maior engajamento da marca, agregando valor ao produto ou serviço.

BHB: Houve um aumento na procura de propriedades para integrar o portifólio de vocês neste período pandemia?

N.J.: No começo da pandemia, por se tratar de algo novo que ninguém tinha noção de como iria ser o futuro, sentimos uma diminuição e certa apreensão. Hoteleiros ficaram com receio de fechar novos contratos e promover mudanças. Contudo com o passar do tempo e, principalmente com a chegada da segunda onda, tivemos um aumento de procura e fechamento de novos contratos. Houve a necessidade por parte do hoteleiro independente de aumentar a visibilidade e venda de seu inventário, e principalmente implementar novas tecnologias com melhor custo-benefício.

BHB: Há destinos que foram muito procurados neste último ano. Qual a percepção de vocês?

N.J.: O comportamento do hóspede mudou consideravelmente desde o início da pandemia. Isso se deu por vários fatores: agravamento da crise financeira, alta do dólar, desemprego e até  restrições de viagens internacionais. Locais com grandes aglomerações de pessoas deixaram de ser a primeira opção e destinos considerados mais isolados, ligados à Natureza, praias mais desertas se tornaram a escolha da maioria dos viajantes. Em meio a pandemia o turista estrangeiro praticamente desapareceu e o foco de vendas passou a ser o próprio brasileiro, favorecendo a hotelaria independente.

BHB: Qual a receita para uma estratégia bem-sucedida em co-branding?

N.J.: As parcerias são de extrema importância para o desenvolvimento e o crescimento dos negócios. Na hotelaria vários players trabalham em conjunto com o objetivo de aprimorar os processos, aumentando a rentabilidade, em um exercício de ganho mútuo. Então, na Ameris, nossa estratégia é agregar os pilares do sucesso do negócio hoteleiro, prestando suporte, viabilizando e oferecendo soluções disruptivas aos hotéis independentes, onde estes terão a possibilidade de fazer mais sem que seja preciso grandes investimentos próprios.

BHB: Como funciona o processo na unificação de compras?

N.J: Através de uma plataforma inteligente de compras, ou seja, um shopping virtual, onde no mesmo ambiente estão reunidos fornecedores e  os hotéis compradores. A HOTELSHOP é uma plataforma que oferece compras centralizadas, preços exclusivos, soluções personalizadas, relatórios gerenciais e uma equipe de compradores experientes para auxiliar em todas as demandas e necessidades dos empreendimentos. Os hotéis conseguem redução dos custos- em média em torno de 8%-.  centralização de informações e cotações,  otimização dos processos e homologação de fornecedores com seus produtos e serviços. Estamos falando de pouco mais de  550 fornecedores e mais de 10 mil produtos. Por outro lado, oferecemos aos fornecedores, uma rede com mais de 320 hotéis, oferecendo ainda uma maior capilaridade e amplitude de vendas.  

BHB: A Ameris tem uma forte presença em Minas Gerais. O estado é reconhecido pelos especialistas como um destino de forte potencial no Brasil, isto é, por conta do patrimônio histórico, forte identidade gastronômica e ecoturismo e eventos. O que falta então para Minas dar um boom?

N.J.: Minas Gerais é o estado brasileiro com o maior número de municípios e, mesmo assim, com um baixo incentivo ao turismo comparado a outros Estados. Acreditamos que são necessárias ações de restruturação e políticas públicas com foco na diversidade que Minas oferece. Recentemente o governo do estado lançou o programa de retomada do setor do turismo, apresentando investimentos público-privado, com patrocínio e aporte da secretaria de Cultura e Turismo do Estado, que pode gerar crescimento e visibilidade de Minas no médio prazo.  A Ameris continuará buscando expandir seu portfólio no Estado de Minas Gerais, para aumentar sua capilaridade em um Estado com tanto potencial e diversidade.

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