Cruzeiros: hospitalidade sobre as águas é mira de fornecedores

O crescente mercado de cruzeiros deve estar na mira de fornecedores da hotelaria

Cruzeiros: hospitalidade sobre as águas é mira de fornecedores
Credito de imagem: divulgação Star Clipper

A hotelaria sobre as águas têm atraído cada vez mais atenção dos brasileiros, principalmente quando se fala de viagens temáticas. Assim, de fãs de Roberto Carlos até corinthianos roxos, a gama de cruzeiros não parava de crescer. Uma mudança importante no cenário do turismo, nos últimos 20 anos, lembrando que tal fenômeno não é exclusivo no país. 

Até janeiro de 2020, era possível observar um futuro otimista com relação ao setor de cruzeiros em todo o mundo. Isso pois, em 2019 houve transporte de pouco mais de 30 milhões de passageiros gerando um impacto econômico superior a US$ 150 bilhões. Otimista, o mercado esperava encerrar o ano passado com 32 milhões de passageiros e 319 navios em operação.

Obviamente as projeções não se concretizaram por conta da pandemia. No entanto, é inquestionável a força do segmento e sua breve retomada. Note-se que ela será importante e deverá ser observada com atenção pelos fornecedores da indústria de hospitalidade. Afinal, uma série de produtos e serviços oferecidos aos hotéis, resorts e hospitais também podem ser de interesse dos donos de navios, barcos e iates.

Cruzeiros menores despontam: opção segura de viagens

Cada vez maior se faz o número de embarcações a venda no planeta. Não só os grandes transatlânticos, mas barcos menores com capacidade até 100 pessoas, com potencial de navegação em alto mar e nos rios. O número de vendas de iates e lanchas também tem crescido movimentando milhares de compradores em eventos muito concorridos.

Além disso, dados da Cruise Lines International Association (Clia), em 2019, apontam que 66% das pessoas da geração X e 71% dos millenials veem as viagens de barco como opção de lazer interessante, mais que em 2017. Cruzeiros temáticos têm atraído atenção dos solteiros que buscam roteiros mais rápidos cuja duração varia entre de três a cinco dias. Há preocupação crescente com o design e conforto das cabines, a qualidade dos enxovais e amenities, as experiências gastronômicas a bordo, assim como a oferta de serviços: academias de ginásticas, bares, cassinos, piscinas, spas e kids club. 

Então, diante deste cenário em que cruzeiros menores despontam como uma opção segura de viagens, um dos maiores nomes do turismo no Brasil é o entrevistado desta semana. Jean-Philippe Pérol foi diretor geral global da Maison de la France (hoje Atout France) o órgão francês que inspirou a criação da  Embratur,  dirigiu operações na Air France e WagonLits. Conselheiro de ex-ministros brasileiros e  integrante do board de eventos importantes do trade, hoje é sócio da Cap Amazon, empresa que representa  no mercado brasileiro z oferta de grandes grifes como a Star Clipper. Sua outra paixão são seus cruzeiros pelo Rio Amazonas, onde teve a oportunidade de guiar nomes importantes da política mundial, como o ex-presidente da França Giscard D´Estaing. 

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Blog Hospitalidade Brasil:  Conte-nos sobre os cruzeiros que você faz na Amazônia. 

Jean-Philippe Pérol: A Amazônia está concentrando as atenções do mundo inteiro, a sua preservação combinada com seu desenvolvimento sustentável oferece uma das mais extraordinárias oportunidades para o nosso turismo. E cruzeiro é a fórmula mais perfeita para a região – pela necessidade de se se locomover pelos rios, e pelo fato  de que o ritmo das estações complicam muito as localizações dos hotéis. Os cruzeiros de 4 a 6 dias, bem como os fretamentos, são realizados em barcos exclusivos: duas embarcações regionais em madeira nobre que oferecem todo conforto e segurança. O Belle Amazon, com 9 cabines, e o  Amazon Dolphin, com 12 cabines, navegam  pelos rios Tapajós e Amazonas, mostrando matas, praias e belezas naturais, tendo como foco os encontros com as comunidades que vivem nas beiras do rio bem como os pontos da história da borracha. Uma experiência que cada brasileiro deve viver pelo menos uma vez na vida. 

BHB: Você também representa a luxuosa marca Star Clipper, não é? 

JPP: A Star Clipper nasceu do sonho de um sueco apaixonado pelos grandes veleiros do século XIX, que quis oferecer aos apaixonados a possibilidade de reviver essas emoções, com cruzeiros totalmente diferentes. A bordo de veleiros autênticos que utilizam (a maior parte do tempo) a força dos ventos para navegar, os passageiros aproveitam um ambiente exclusivo e aconchegante, podendo participar das manobras. Três são os navios de cruzeiros, pequenos, mas com todos os serviços esperados para uns viajantes exigentes, nas 3 embarcações: Royal Clipper (maior veleiro do mundo com 114 cabines), Star Clipper e Star Flyer (com 85 cabines cada) que navegam no Caribe, no Mediterrâneo e na Ásia, com roteiros adaptados aos ventos de cada época e região. 

BHB: Como você percebe o mercado de cruzeiros hoje no Brasil? 

JPP: Um mercado importante, mas com enormes possibilidades de crescimento se comparado aos Estados Unidos ou mesmo a Europa, podendo ser multiplicado por de 5 a 10 vezes nos próximos 10 anos. O potencial de cruzeiros fluviais, na bacia do Paraná e mais ainda nos rios amazônicos, com experiências em embarcações menores, é uma das particularidades do nosso mercado e uma imensa oportunidade tanto para o turismo interno quanto para o receptivo internacional. Temos que lembrar que os cruzeiros são muito importantes para as agências de viagens que têm um papel fundamental nessas vendas em que é necessário um consultor para escolher o melhor produto em função das suas expectativas. Especialmente desde o começo da pandemia, por conta dos protocolos sanitários que foram implementados. 

BHB: Em termos de serviços, o que existe em comum com a hotelaria tradicional? 

JPP: Muitas coisas, e já o essencial: oferecer uma experiência completa de hospedagem, gastronômica e de experiências, cujo sucesso depende em primeiro lugar do atendimento dos homens e das mulheres das equipes. Manutenção, limpeza, tecnologia e excelência em room service, além das ofertas de alimentos e bebidas, são os mesmos, e os passageiros esperam o mesmo profissionalismo e a mesma disponibilidade que encontram nos hotéis. 

BHB: Em termos de serviço, quais as duas maiores diferenças? 

JPP: Diferentemente da hotelaria tradicional, nos cruzeiros o serviço é full board e inclui toda a programação 24 horas por dia. Como as embarcações são pequenas, consideradas como hotéis boutiques flutuantes, as tripulações têm também a responsabilidade de criar o ambiente de bordo, com um atendimento extremamente personalizado. As inclusões e serviços dependem principalmente da categoria de hotel e da categoria do cruzeiro. No caso da Amazônia, por exemplo, o serviço de um guia é fundamental para melhor compreender a região. A outra grande diferença para com os hotéis é o papel do comandante e dos marinheiros. Um momento na cabine de pilotagem, uma conversa com o comandante, uma manobra com os marinheiros podem ser as experiências que vão criar momentos inesquecíveis.

BHB:  Qual a importância dos amenities e enxoval? Alguma diferença? 

JPP: Como sempre nos serviços, e mais ainda nos serviços exclusivos, são os detalhes que fazem a diferença. Nos nossos cruzeiros amazônicos, o enxoval foi completamente renovado o ano passado com lençóis e toalhas bem como os colchões. Dormir bem é fundamental, e a qualidade do lençol faz parte, assim como a qualidade e a beleza da toalha de banho ou de praia. No nosso caso, os amenities valorizam os produtos regionais orgânicos e sustentáveis, inclusive o artesanato local. Com o Covid-19, um segundo kit sanitário é dado ao cliente que inclui até máscaras feitas em Alter do Chão. Para os grupos MICE, concebemos brindes especiais com lindas surpresas. 

BHB: O que os clientes mais esperam em um cruzeiro? 

JPP: A descoberta de uma região e aquele sentimento de liberdade extraordinário que lhe pega quando olha o infinito do rio ou o mar do deck do navio, uma viagem múltipla sem precisar mudar de hotel a todo momento. De forma despreocupada com facilidade de logística (check-in/check-out de hotéis e trajetos de carro), tudo incluso e um custo controlado. Mas além disso, nos nossos barcos ou veleiros, experiências únicas que correspondem as novas tendências pós-Covid, momentos exclusivos, ricos em conteúdos culturais e naturais, intercâmbios com os moradores e os tripulantes, um turismo ”transformacional”. 

Inovações e tendências da hospitalidade  

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