O futuro das pequenas hospedagens no Brasil

Por: Nathalia Borghi, ex-pousadeira, atual especialista em gestão, estratégia e marketing de pequenas pousadas do Viver de Pousada, projeto de educação online.

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A crise de 2020 veio como uma bomba para as hospedagens.

Fechamento de diversos destinos do turismo por meses, falta de caixa e empréstimos facilitados disponíveis, fora o medo e a insegurança de continuar em um mercado que não tem como migrar totalmente para o online, como o comércio e outros serviços.

Não querendo diminuir o impacto da grande hotelaria, dos hotéis e resorts, que foi gigante assim como o tamanho deles, mas as pequenas, e muitas vezes informais hospedagens, sofreram ainda mais.

Por não terem preparo e muitas vezes nem conhecimento em gestão, vi diversas pequenas pousadas fechando as portas, arrendamentos sendo desfeitos e sonhos indo ralo abaixo.

Uma pena, porque, ao meu ver, esse é o momento ideal para se ter uma pequena hospedagem!

Em tempos em que o isolamento social é a regra da vez, as pequenas pousadas tem uma vantagem que dificilmente os grandes hotéis e resorts conseguem garantir ao hóspede: a quase impossibilidade de aglomeração.

Seja na recepção para o check in, na hora do café da manhã ou até mesmo no uso das áreas comuns como a piscina, uma pequena pousada consegue oferecer a privacidade e a segurança que esses tempos solicitam. Um super diferencial, que pode ser considerado impagável.

Porém, para conseguir oferecer isso, antes de tudo, as pequenas pousadas devem tomar muito cuidado com a gestão.

De nada adianta oferecer privacidade, se não há lucro na operação. Pousada nenhuma sobrevive à falta de lucro, independente da quantidade de quartos.

Sei que muitos consultores julgam que pequenas pousadas não podem ser rentáveis, mas ao longo da minha jornada, tenho visto justamente o contrário.

Mais do que faturamento, as pequenas devem buscar por otimizar os resultados. Só é possível ter uma pousada lucrativa quando de fato sua operação é a prova de desperdícios, com custos controlados e, claro, muito planejamento envolvido.

As pequenas e grandes têm diferenças primordiais na gestão: o que funciona muito bem para as grandes, como o tão usado revenue management, muitas vezes é o caos para os pequenos.

Por isso, hoje divido com vocês alguns passos essenciais para conseguir ter uma pousada lucrativa mesmo em tempos de crise como esse.

O primeiro passo é entender a essência da sua pousada:

  • Porque você virou pousadeiro?
  • Qual é o objetivo por trás desse estilo de vida que você foi buscar?
  • Quem são as pessoas que pagarão o seu preço para estar em um lugar com menos luxo ou padrão, mas em troca de experiências genuínas com pessoas que mudaram de vida?

Acabou a vez das pousadas que oferecem apenas uma cama para dormir.

Agora a palavra de ordem é se diferenciar para sobreviver no mercado.

Comece a definir seu diferencial, quem é o hóspede que você quer atender e foque nele. O futuro da sua hospedagem depende do quanto mais específico você for.

O segundo passo é entender que, apesar da pousada ser a realização de um sonho, é um negócio como outro qualquer.

Precisa de gestão e conhecimento na área, muitas vezes não o que é dado nas universidades de turismo e hotelaria, pois, como já vimos aqui, a realidade de uma pequena pousada é muito diferente de um hotel.

Não adianta apenas mergulhar de cabeça no sonho e não se preparar para isso.

Esse é o primeiro passo para viver um pesadelo.

Portanto, invista em gestão e profissionalização da sua pousada, mesmo que você a considere pequena para isso.

E o último passo: se posicionar como pequeno, mas se divulgar como os grandes.

Entender que seu hóspede alvo é ainda mais nichado.

Que você deve focar em atender um público tão específico que somente você seja a alternativa possível para esse público.

Parece difícil? Pode ser, mas é um processo de enxergar oportunidades e se posicionar fortemente em quem você quer receber na sua pousada.

Tudo isso alinhado a uma comunicação mais pessoal e marketing direcionado, aproveitando o momento que estamos do digital.

Redes sociais e contato próximo ao hóspede são as chaves para obter resultados nesse mercado.

Será que tem uma luz no final do túnel para os pequenos pousadeiros?

Para mim existe.

Só que eles vão ter que buscar essa luz, saindo de uma vez do amadorismo, se profissionalizando e entendendo que não basta dar descontos para alcançar seu lugar no mercado, nem tentar vender para todo mundo.

Se todos os pousadeiros, e aqueles que querem realizar esse sonho de ter uma pousada, se conscientizarem do quanto o conhecimento direcionado pode ajudar no crescimento da sua pousada, mesmo em meio a uma crise como essa, com certeza teremos uma grande reviravolta neste nicho do turismo nos próximos anos.


O conteúdo é de inteira responsabilidade do criador e não, necessariamente, reflete a opinião da Reed Exhibitions – organizadora da Equipotel.