Acessibilidade na hospitalidade: Dicas para adaptar seu empreendimento

Descubra o que é, porquê e como fazer uso da acessibilidade na hospitalidade.

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acessibilidade na hospitalidade

Muito se fala sobre tornar ambientes acessíveis para todos. Entretanto, considerar a acessibilidade na hospitalidade, vai além de ser um exercício de empatia. Afinal, adaptar o seu empreendimento para receber pessoas com deficiência (PcD) está na lei e é algo que deve ser respeitado.

Por isso, trouxemos um conteúdo completo de acessibilidade na hospitalidade com o objetivo de quebrar tabus e também trazer ideias de como fazê-lo. Acompanhe:

O que é acessibilidade?

Em primeiro lugar, vale saber que acessibilidade é tornar o seu serviço possível para pessoas com deficiência, criando espaço para que elas consigam aproveitar o seu empreendimento como demais clientes.

Em 2015, a Lei 13.146 foi aprovada com a contemplação de um estatuto específico para pessoa com deficiência. Nele, consta todas as questões de acessibilidade física e informacional em quaisquer ambientes. Assim como cita as punições para quem descumprir as determinações.

Além disso, as especificações técnicas são encontradas na NBR 9050, que normatiza os padrões ideais de acessibilidade.

Essa lei se aplica a qualquer espaço de uso público, tais como: ruas, calçadas, espaços urbanos, edificações públicas, bares e restaurantes, casas de espetáculos, teatros e outros.

Como receber PcDs?

O consultor da MAPA Assessoria e diretor da Abrasel em 2016, Marco Amatti, aponta que “Primeiramente, é preciso se conscientizar e sensibilizar sua equipe sobre o especial carinho e cuidados com pessoas com deficiência. Embora exista legislação bastante completa, é preciso que todos os profissionais de hospitalidade (proprietários e colaboradores) em todos os níveis conheçam estas regras que passam por adaptações ou previsão em projeto para cumprimento destas normas”.

Por isso, cumprir a acessibilidade na hospitalidade de forma vai além de se preocupar com as instalações técnicas e saber o que se está na lei. Nesse caso, a equipe do restaurante ou bar deve receber treinamento para atendê-los. “A equipe precisa estar preparada para atender pessoas com deficiência; treinamento constante é uma das chaves.

Por exemplo, atender a um deficiente visual, pergunte ao cliente se ele quer o cardápio em braile ou se prefere escutar suas explicações sobre os produtos que seu estabelecimento oferece”, explica Marco Amatti.

O que é necessário adaptar?

A norma da ABNT NBR 9050 apresenta em imagens como devem ser feitas as adaptações. Nesse caso, consulte um especialista para entender e fazer as devidas adições e alterações.

Entre as modificações, estão:

Mesas acessíveis para usuários de cadeiras de rodas

É necessário o mínimo de 5% do total de mesas oferecidas, com no mínimo uma. Sempre respeitando a altura adequada para a cadeira, além de permitir livre circulação.

Espaço para deslocamento

A norma prevê o tanto de espaço que se deve ter para permitir o deslocamento em diversas rotações, de 90º a 360º.

Braile

Assim como Marco Amatti explicou, o restaurante precisa ter disponível cardápios em Braille, além do atendimento por voz, para pessoas com deficiência visual.

Cães-guia

Previsto na legislação, o uso de cão guia é permitido em qualquer estabelecimento. Portanto, que deve adequar o seu espaço para recebê-los.

A norma ainda demonstra como devem ser as alturas nos balcões de autosserviço, as rampas de acesso, banheiros especiais e normas para as vagas de carro. Confira todas as instruções disponíveis aqui.

Conheça um exemplo de acessibilidade na hospitalidade

Desde a sua inauguração em 2013, o Templo-Bar de Fé é um restaurante que conta com entrada e saída acessível, isto é, com mesmo piso de acesso ao ir e vir dentro do salão. Há um corredor ao lado do bar que liga toda a extensão, inclusive banheiro para deficientes, com porta larga e barras conforme protocolo sanitário.

Além disso, as mesas possuem altura e largura para encaixar uma cadeira de rodas. Para pagamento de comanda, o Templo-Bar de Fé tem atendimento personalizado. Nesse caso, o garçom ou gerente encerra a conta na mesa do cliente que porta deficiência, evitando que ele se desloque até o caixa.

“Temos templários fiéis que são PcD, chamamos todos os nossos clientes de templários, porque é aqui que eles vêm buscar alegria e repor as energias. Após o meu Templo ter entrado no ranking 2020 Travelers’ Choice Awards do TripAdvisor e estarmos entre os 10% de melhores empresas de hospitalidade em todo o mundo, é um prêmio o qual me orgulha em dizer que estamos no caminho certo em respeito a diversidade” – comenta Murilo de Oliveira, proprietário do Templo-Bar de Fé.

Melhorando o seu empreendimento

Além de atrair novos públicos, promover inclusão e melhorar a experiência da PcD, a normatização desses espaços evita problemas legislativos.

Por isso, é importante avaliar se seu estabelecimento está dentro das conformidades da acessibilidade. Caso não esteja, verifique com um especialista as mudanças necessárias com o intuito de ser um estabelecimento inclusivo e dentro da lei. Por outro lado, se você estiver na fase do projeto de seu empreendimento, certifique-se de que ele será um ambiente seguro e, ao mesmo tempo, agradável para todos os públicos.

Afinal, acessibilidade não é apenas cumprir a lei, mas também uma forma correta de trabalhar a hospitalidade.

Continue lendo o Blog Hospitalidade Brasil que tem como objetivo propagar a arte de receber bem para todos os segmentos da hospitalidade. Aqui você encontrará dicas de como melhorar o atendimento em bares e restaurantes, como montar uma carta de drinks, o que é essencial na retomada da hotelaria e muito mais!