Cresce busca por turismo regional no Nordeste

A princípio, o turismo regional está sendo considerado a salvação econômica do setor desde o início da pandemia. A divulgação da Organização Mundial do Turismo sobre a perspectiva é de redução de 60% a 80% no número de turistas internacionais em 2020.

Antecipadamente em um recente estudo divulgado, será imprescindível restaurar a confiança dos viajantes através dos protocolos de segurança. Além disso, eles destacam que neste momento é importante criar experiências novas. Sem contar a promoção do turismo doméstico, especialmente os relacionados ao ecoturismo, a cultura, o esporte e o turismo rural e rotas locais.

Segundo dados do IBGE, o setor de turismo no Brasil cresceu 19,8% em junho deste ano em relação aos meses anteriores. “O segmento de turismo observou uma perda acumulada entre março e abril de 68,1%, em relação ao ano anterior. Isso refletiu diante do impacto das medidas que visaram combater a pandemia nas empresas que compõem as atividades do setor.

Dados e detalhes do turismo regional

Entre as atividades mais atingidas estão: transporte aéreo de passageiros, restaurantes e hotéis, informa a Organização Mundial do Turismo. O movimento em Fortaleza cresceu 6,4% quando comparado ao mês anterior. Já na Bahia, a queda foi leve em junho, porém permanece positiva com 3,7% no mesmo mês. Os demais Estados do Nordeste também tiveram números positivos.

Todavia, alguns meios de hospedagem no Nordeste (principalmente no litoral e sul) estão retomando as atividades. A AirFrance já anunciou a retomada de voos entre Paris e Fortaleza a partir de  setembro, seguindo com três voos semanais.

Contudo, o turismo internacional no Brasil ainda irá demorar para atingir os números que estavam antes da pandemia. Juntamente com o próposito de reforçar essa posição, conversamos com três regionais da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis. Entre elas, temos os estados do Ceará, Bahia e Alagoas, para entender como está a retomada do turismo regional.

Confira os depoimentos de Regis Nogueira, da ABIH-CE; Luciano do Nascimento, da ABIH-BA e Ricardo André Duarte Santos, da ABIH-AL.

Houve crescimento em viagens regionais no Nordeste?

ABIH-CE: No primeiro momento os hotéis de praia do litoral estão com uma retomada mais rápida do que hotéis urbanos. O motivo é que os hotéis de praia são procurados pelos próprios cearenses. Pelos Estados vizinhos, Piauí e Rio Grande do Norte, e o sertão e interior.

Os hotéis de cidade também têm hospedagens regionais, mas em menor quantidade. Em Fortaleza, por exemplo, os turistas vieram sempre do Sudeste. Mas para recebê-los precisamos da retomada de voos nacionais, que estão voltando lentamente.

Nós tínhamos 140 operações diárias no aeroporto da capital cearense e estamos em torno de 30. Durante a pandemia estávamos com 5 operações.

ABIH-BA: Com a pandemia o faturamento dos hotéis na Bahia foi impactado com uma redução acumulada de 61% nas taxas de ocupação. O período foi de janeiro a julho de 2020, comparando com o mesmo período do ano anterior.

Com a abertura das atividades econômicas o número de viagens tem aumentado na região Nordeste. Porém, o cenário ainda muito abaixo do período antes da pandemia.

ABIH AL: O mercado regional tem sido fundamental no processo de retomada do turismo em Alagoas. Consequentemente, isso é positivo para a recuperação da hotelaria neste primeiro momento.

Também tivemos turistas de outras regiões brasileiras. A maior parte dos hóspedes que a rede hoteleira recebeu nesses primeiros meses de reabertura foram turistas regionais. Isso sem contar os próprios alagoanos, que buscam as hospedagem como uma alternativa para relaxar depois do isolamento.  

Os hotéis já estão recebendo clientes internacionais?

ABIH-CE: Poucos, ainda estamos com praticamente zero voos internacionais em Fortaleza. Nós tínhamos operações da AirFrance, KLM, TAP e outros. Mas no momento algumas tem restrições.”

ABIH-BA: Desde o início da pandemia, Salvador não recebe turistas internacionais. Diante das restrições de deslocamento, temos percebido uma procura maior pelo mercado interno, neste primeiro momento.

Entretanto, com a retomada das atividades a tendência é que a partir de setembro o mercado nacional seja ampliado. A expectativa é de que haja a recuperação do internacional.

Afinal, o transporte aéreo é fundamental para a hotelaria e afeta diretamente o turismo. No 1º semestre de 2020, comparado com o 1º semestre de 2019, houve uma redução de 42,42%. A queda no movimento de passageiros do aeroporto foi grande, segundo os dados da Vinci Airports.

Analisando o período de abril a junho de 2020, a redução foi de 91,36%. A previsão de capacidade do aeroporto para setembro é de 31%, enquanto agosto foi de 24,5%.

ABIH-AL: Neste momento de retomada progressiva da malha aérea do estado, não contamos com voos internacionais. Isso dificulta ainda mais receber os turistas estrangeiros. Porém, a partir de 2 de outubro, Alagoas passa a ter ligação com o mercado europeu.

Em outras palavras, ele acontecerá por meio de um voo direto entre as capitais Maceió e Lisboa, da companhia Tap Air Portugal. Segundo a companhia, os voos já registram uma boa procura tanto de viajantes portugueses quanto de espanhóis e franceses.

Como está o funcionamento de pequenos hotéis ou hotéis que não são de rede?

ABIH-CE: A grande maioria dos hotéis do Ceará não são de rede. A nossa hotelaria está retomando suas atividades aos poucos; alguns em julho, outros em agosto, e ainda com essa ocupação variando de 10 a 15%. A previsão é de aumento em setembro e outubro. Assim, nossa expectativa é que cada mês melhore mais um pouco.”

ABIH-BA: Os hotéis estão com os protocolos de segurança implementados e reforçando cada vez a capacitação de suas equipes. Tudo isso para atender os hóspedes com mais segurança.

Com a redução do índice de contaminação, a expectativa é que entre setembro e dezembro a grande maioria dos hotéis esteja funcionando nas 13 zonas turísticas da Bahia.

ABIH-AL: Ainda existem dificuldades com os pequenos meios de hospedagem e o que elesestão passando neste processo de retomada. Porém, é possível continuar otimistas para a recuperação do mercado, assim como os demais associados.

Dos pequenos aos grandes hotéis, todos estão investindo nos procedimentos de saúde e segurança. A ideia é receber os hóspedes com responsabilidade, adotando todos os cuidados necessários.

Futuro do turismo regional

Especialistas debatem diariamente a retomada do turismo regional. Diversas empresas e entidades divulgam as cidades turísticas como os novos destinos desejados entre os próprios brasileiros. Entre elas, temos o Movimento Supera Turismo,

Recentemente trouxemos cases de hotéis no Sul da Bahia para apontar as práticas durante a reabertura. Leia mais em “A retomada do setor hoteleiro em Salvador“.

Por fim, continue acompanhando o blog Hospitalidade Brasil e confira nossas dicas para auxiliar seu negócio para a retomada do seu empreendimento.