A hotelaria terá de se reinventar, e o Grupo Accor está em busca da fórmula

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Com as notícias atuais que vigoram por todo o mundo, algumas mudanças terão de ser impostas, o que de fato trará novos elementos e a necessidade do setor hoteleiro se reinventar para se preparar para a retomada do mercado, algo que o Grupo Accor já vem trabalhando.

Patrick Mendes, CEO há 5 anos da Accor na América do Sul, diz que a indústria mudou para sempre. Para 2020 previa uma retomada no mercado, tendo em vista que vinha lidando com a crise econômica no Brasil desde sua posse como líder.

Chegou inclusive a mencionar o Covid-19 como um “meteoro”, e que este então teria tirado todos os planetas de órbita, se referindo aos hotéis no mercado. No entanto, o executivo acredita que possa reabrir seus hotéis no país entre meados e fim de maio, e aposta que uma nova indústria esteja surgindo.

Em entrevista exclusiva o CEO menciona algumas das suas perspectivas e desafios, e o Blog Hospitalidade Brasil compartilha com você. Confira:

Novos elementos em jogo, segundo o Grupo Accor

Novos elementos vão entrar em jogo. As partes da sustentabilidade, da descoberta da natureza, da humanidade vão virar mais importantes”.

Patrick tem estudado como as pessoas vão viajar e como serão suas escolhas. Seu papel como líder da indústria é dar um caminho como pontapé inicial, tranquilizando o turista que pretende viajar amanhã, por exemplo.

Ser melhor, neste ponto de vista, não será o suficiente em vista dos impactos que trarão a pandemia. Ou seja, serão necessários controles de higiene, origem dos alimentos, processo de segurança dos funcionários no que diz respeito ao uso de máscaras e a importância de cuidados pós pandemia.

Em vista disso, o Grupo Accor fechou um contrato com a consultoria Bureau Veritas para implementar rigorosos padrões sanitários que, na opinião do executivo, vão ajudar a nortear a indústria em todo o mundo e, consequentemente, definir as implementações nos seus 5 mil hotéis ao redor do mundo.

Mudanças já pautadas para o Grupo Accor

Com a retomada do mercado, a Accor reforçará ações que já são feitas. Ou seja, a limpeza dos quartos terá um processo mais longo. “Estamos revendo a filtragem do ar nos quartos, máscaras nos funcionários, placas em todos os lados indicando a lavagem das mãos. E mais controle de todos os processos”.

Patrick ainda finaliza que as mudanças serão importantes e fundamentais para preservar a imagem do hotel e garantir a confiança dos hóspedes. Isso torna pertinente também a reabertura dos seus hotéis. No entanto, para que isso aconteça e sua equipe consiga gerir com mais persistência e atenção seus negócios, é necessária clientela. Neste caso, entre 20% a 25% de ocupação.

Neste cenário é importante que o governo comunique sobre as belezas do Brasil e a segurança em viajar para o país. De fato, será um turismo local, ainda na visão de Patrick, que também acredita em um atendimento mais caloroso e no movimento que a rede já iniciou há dois anos, o qual chamam de heartist (artistas do coração).

Isso significa ter uma relação muito mais amigável e humana entre o colaborador e o cliente. Em outras palavras, isso se revelará cada vez mais importante nos relacionamentos turísticos do futuro, o que tornará também a hotelaria bem menos sistemática e processual.

E por falar em retomada…

O grupo Accor e sua ampla modalidade dentro do setor hoteleiro possui diversos hotéis ao redor do mundo, inclusive na China. Lá, Patrick conta que eles possuem 380 hotéis Accor e 5 mil hotéis do grupo Huazhu, empresa na qual o grupo tem 10% de participação.

Os primeiros casos começaram em janeiro e todos os hotéis precisaram ser fechados em fevereiro. No entanto, depois de um confinamento necessário com 100% de efetividade, no dia 15 de março eles começaram a ser reabertos. No fim desse mesmo mês, quase todos estavam em funcionamento.

Depois de 15 dias, os hotéis da rede Huazhu já estavam com 45% de ocupação. Agora estão com uma ocupação acima de 45% e, em maio, estão prevendo mais de 65% de ocupação. O que é uma boa retomada, segundo o executivo.

É surpreendente. Embora sejam hotéis econômicos de US$ 25 de diária média e basicamente voltado a negócios. Já na outra parte, dos 380 hotéis de lazer da Accor, começamos com 7% a 8% em março. Em abril, devem fechar com 25% de ocupação e, mês que vem, estamos falando de 35% a 40%. Essas pessoas não estão viajando de avião, estão viajando de carro, para destinos mais próximos”, finaliza.

O turismo após o cenário de retomada do mercado, segundo Patrick Mendes

Agora, que estamos fechados em nossas casas, estamos valorizando cada vez mais as relações humanas, o abraçar. Estamos falando com amigos que não falávamos há meses, valorizando a família como nunca valorizamos. O medo de perder alguém despertou, em cada um de nós, novas necessidades”, menciona o executivo.

Sem contar que, o formato de viagens dos turistas também mudará, e de certa forma todo o mercado em período de retomada precisa passar por um período de renovação e adaptação para atender às expectativas.

E você, o que acha dessa retomada? Continue acompanhando os canais oficiais da Equipotel para ficar por dentro do que os principais executivos do setor falam sobre o atual cenário e o futuro do mercado.

Este conteúdo foi produzido pelo NeoFeed e adaptado pelo Blog Hospitalidade Brasil. Você pode acessar a entrevista original clicando aqui.