Você já conhece o Grupo Accor? As marcas dessa famosa companhia contemplam mais de 100 países, com mais de 3.700 estabelecimentos para estadias inesquecíveis. E um dos principais implementadores do sucesso dessa gigante, é nada mais nada menos que Roland de Bonadona.

Roland chegou da França no Brasil em meados dos anos 90. Aqui, já veio com a missão de implantar a Marca Sofitel, na sequência da fusão com a Rede Quatro Rodas. Além disso, o executivo teve a premissa de assumir a área de desenvolvimento do braço hoteleiro do Grupo Accor. A empresa foi fundada em 1975 por Jean Larcher, e na época, contava com 20 hotéis sob as marcas Novotel & Pathernon.

Bonadona, por sua vez, teve um grande desafio dali para frente: reverter a situação econômica da época e a intensa recessão que aclamou o setor. No entanto, sua perseverança e estratégias com ações planejadas e estruturadas o fizeram reverter um possível cenário negativo.

Pensando nisso, a Revista Hotéis reuniu sua equipe e entrevistou Roland, que ainda atua no Grupo Accor e completa uma experiência de 42 anos na área.

Confira abaixo as considerações de Roland de Bonadona sobre as expectativas do futuro da hotelaria e turismo no Brasil e no mundo, e suas ações dentro do setor.

A experiência no Brasil e as considerações de Roland de Bonadona

A saber, Roland chegou no Brasil em uma intensa crise econômica. Vindo da França, para o Brasil, a maneira de se adaptar foi muito além de sair de sua zona de conforto pessoal. Mas também mudou a maneira de atuar como profissional.

Em vista disso, o executivo atingiu opiniões específicas quanto a retomada que compete ao país. Dessa forma, assimilamos de maneira evidente uma comparação com os dias atuais.

Segundo ele, o Brasil consegue conviver com transformações profundas e abruptas do seu ambiente, isto é, trata-se de um universo bem diferente. “Na verdade, o melhor momento para aprender é quando as transformações são mais fortes, quando elas chegam ao ápice”, completa ele.

Certamente as realidades eram outras, e quando se diz respeito a crises econômicas com referências governamentais, as situações tomam outro formato. De toda forma, a premissa é a mesma: organização, aprender a lidar com adversidades e pular fora da mesmice. Sendo assim, resume ao ponto que diariamente fala-se para profissionais da área: inove!

O mundo da hotelaria e o futuro do mercado, segundo Bonadona

O mundo da hotelaria está em plena transformação, segundo Roland. É possível enumerar algumas das múltiplas ondas que agitam o setor. E que com isso criam turbulências para operadores de porte intermediário sem falar da hotelaria independente.

O executivo ainda completa: “A primeira transformação, a mais conhecida e melhor percebida é a digital. Ela revolucionou a maneira com a qual os clientes planejam e organizam suas viagens. Redesenhou completamente o modelo de distribuição dos hotéis. Atrás desta vem a onda da sharing economy, Airbnb a frente, em competição com a hotelaria tradicional“.

Do lado do hotel a tecnologia permitiu a elaboração de poderosas ferramentas de Revenue Management, e de Business intelligence. Com a multiplicação de canais online e offline tornou a distribuição dos hotéis uma especialidade de profissionais altamente capacitados“, completa.

E não para por aí. Roland assume a responsabilidade de dizer que novas gerações de clientes estão chegando. Clientes estes que estão acostumados com o mundo e as ferramentas digitais. Com isso, passarão a cobrar ainda mais esse tipo de ação vindo das redes hoteleiras.

Como as transformações do mundo digital podem impactar o setor do turismo e hotelaria?

Certamente será uma condição de sobrevivência para aqueles que não se habituaram no novo. Roland de Bonadona comenta que a adaptação aos novos modelos de consumo e busca de escala aparecem definitivamente com essa condição para operadores históricos e novos entrantes asiáticos em busca de globalização.

Todas essas transformações, por sua vez, são desafios para as empresas brasileiras de hotelaria. No entanto, este é o momento ideal para se adaptar, e criar um diferencial sustentável para o futuro e se manter no mercado. “Ou eventualmente, dentro dessa redistribuição das cartas, buscar oportunidades através de processo de fusão e aquisição“, reflete o profissional.

Isso dá ênfase para análises quanto o atual momento do setor no país e as oportunidades que este período proporciona. Inclusive, Roland é pontual em dizer que no momento certo a retomada virá, e nesta hora quem tiver bons projetos em carteira sairá à frente.

A hotelaria brasileira nos próximos anos, segundo Roland de Bonadona

Roland mantém boas perspectivas para o setor e menciona a grandeza do Brasil com a arte de receber bem e seu histórico de recursos naturais. “Assumindo que o Brasil se consolidará um dia como uma das grandes economias mundiais, a hotelaria tem um futuro brilhante“.

Os fundamentais são bons, estamos em um País que tem imensos recursos naturais e que tem um mercado interno muito bom. Tem bons profissionais formados por boas escolas, algumas excelentes“.

Temos muitos trunfos para atender bem o turista, que seja interno ou externo. Uma ótima experiência em organização de grandes eventos internacionais, a qual temos que utilizar e viabilizar os nossos pontos fortes. Além de atributos positivos como a gentileza, cultura, a capacidade de atender bem, voltados para o turismo interno“.

A importância deste mercado atrairá um dia os grandes investidores globais que até agora, são ausentes do setor. A queda dos juros estimulará investimento e consumo. Novos modelos de funding vão aparecer, e nosso setor ocupará um lugar à altura do seu potencial na economia do País“, finaliza o executivo.

Por fim, a premissa é se manter impecável com os principais adjetivos que já compõe este mercado no Brasil. Sem mencionar a persistência necessária para que seus esforços sejam voltados à retomada que virá com tudo.

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Essa é uma entrevista adaptada pelo Blog Hospitalidade Brasil. Conteúdo originalmente produzido pela Revista Hotéis. Confira a matéria completa acessando o site.