Redefinição de luxo: a próxima grande preocupação para hotéis

Inovação é desafiar a ordem estabelecida para fazer algo novo. O impulso para transpor regras e em alguns casos quebrá-las, pode ir longe demais quando não é realizado com experiência e sabedoria. Na indústria hoteleira, Ian Schrager é um exemplo famoso. Antes de projetar seu primeiro hotel – juntamente com seu parceiro de negócios Steve Rubell -, criou o Studio 54, em Nova York, ícone cultural que coleciona histórias e levou-os à prisão pela contabilidade, se podemos dizer, obscura.

É suficiente dizer que lições foram aprendidas. Quando foram libertados, os sócios colocaram seu talento a favor da hotelaria, tendo como debute o Morgans Hotel, amplamente comemorado como a primeira propriedade boutique do mundo, que mostrava que estilo e sofisticação podiam ser acessíveis. Já na década de 80, o lobby com o conceito de um local para encontro social era introduzido pela dupla.

Anos mais tarde, o impulso de Schrager na disruptura da indústria hoteleira ganha relevância fresca, com o The Public Hotel New York, estabelecimento de 367 quartos na baixa de Manhattan, que abriu as suas portas em junho de 2017. Em uma entrevista para a revista Fortune, o empresário americano, hoteleiro e incorporador imobiliário descreve o hotel como uma democratização do luxo. Com taxas em torno US$200 por noite, a novidade visa proporcionar um casamento até então sem precedentes entre luxo e economia.

Então, pense desta maneira: se um hóspede paga 500 ou 1000 dólares por noite, ele espera luxo em cada turno – de serviço e estilo para alimentos e bebidas. Mas se a experiência pode ser entregue por uma quantia moderada em New York, os hóspedes vão se surpreender. Vão ter superadas suas expectativas. É isto o que Schrager espera alcançar, uma perturbação como é visto o luxo.

Muitas pessoas na indústria dizem que isso não pode ser feito. Há razões, recordam-nos, por que o luxo não pode ser entregue a este preço. Schrager insiste que pode, basta fazer as perguntas certas. As pessoas querem funcionários com verdadeiros scripts de interações? Querem ter sua bagagem julgada como símbolo de status? Linho branco e porcelana fina realmente encarnam uma moderna experiência de luxo, ou podem melhores experiências ser entregues de forma mais eficiente?

Tudo isso pode soar como um monte de falácia para encantar millennials, serão feitas a suposições de que novo projeto de Schrager é um aceno para a geração y ou apenas um exercício de marketing cuidadoso. Afinal, há um espaço de co-working no saguão e um local de entretenimento no porão. Modelos de serviço frequentemente associados a esta faixa etária.

Mas, nas palavras do Schrager, “construir um hotel para a geração y é a ideia mais estúpida que já ouvi em minha vida” e como muitos inovadores, ele sente que grandes ideias não estão limitadas a um único nicho. Deve-se trabalhar para todos, como mostrado ao longo da história e como grandes ideias fazem sentido. Então porque abunda o ceticismo? Por que as interrupções de sucesso na indústria hoteleira são inicialmente dispensadas por aqueles que deveriam ter pulso firme?

A resposta é simples: disrupturas de sucesso causam perturbações em conceitos fixos. É por isso que muitas das melhores inovações em hotelaria parecem óbvias em retrospecto. Enquanto isso, um inovador da velha guarda, em silêncio está atualizando batidas ideias de luxo.

O tempo dirá se o The Public Hotel New York é digno de imitação em larga escala. De qualquer forma, o co-criador do Studio 54 provou que novos caminhos para a indústria de hospitalidade são necessários e vitais, principalmente na era pós-AirBnb.

 

Conteúdo Proprietário – Reed Exhibitions Alcantara Machado
Produção: A4&Holofote Comunicação